O Corpo Guarda o que a Mente Não Processa

Quanto mais profunda é a consciência de quem realmente somos, mais autêntica se torna a busca por realização pessoal. Por outro lado, quanto mais distantes estamos da nossa autoexpressão natural, mais vulneráveis ficamos a falsos desejos e caminhos que não nos representam.
Desde a gestação, o meio em que vivemos exerce influência significativa sobre nosso desenvolvimento emocional. Diversas experiências vão sendo internalizadas e incorporadas em nossos modos de sentir e agir. Algumas situações externas entram em conflito com nossa livre expressão, inibindo impulsos naturais desde a infância. Para lidar com essas imposições e com a ansiedade que elas geram, criamos mecanismos de defesa. Com o tempo, esses mecanismos moldam a personalidade, a afetividade e até o funcionamento do corpo, originando o que chamamos de caráter.
Nesse sentido, o caráter funciona como uma adaptação do organismo às exigências do meio, muitas vezes à custa da nossa espontaneidade e autenticidade. À medida que nos desconectamos de nós mesmos, perturbamos nossa autorregulação emocional, o que pode gerar inseguranças, indecisões e frustrações recorrentes.
O trabalho orientado pela psicologia corporal permite identificar defesas, elaborar dificuldades e trabalhar dores emocionais e traumas. A partir disso, torna-se possível restaurar e fortalecer a livre expressão do organismo. Desenvolvendo uma maior consciência de quem somos e nos apropriando daquilo que sentimos, ampliamos nossa capacidade de escolha e ação, de forma mais lúcida, integrada e verdadeira.